Uma invenção de Freud

A psicanálise nasceu no final do século XIX, criada pelo médico vienense Sigmund Freud (1856–1939). Freud descobriu que muitos dos sintomas que seus pacientes apresentavam — crises de ansiedade, fobias, depressões, dores sem causa orgânica — tinham raízes em experiências e desejos reprimidos, dos quais o paciente não tinha consciência.

A grande invenção freudiana foi mostrar que parte de nossa vida mental escapa ao controle consciente. Chamou essa parte de inconsciente: um lugar onde ficam armazenados desejos, lembranças, traumas e conflitos que foram esquecidos ou recalcados, mas que continuam a operar e a produzir efeitos em nossa vida.

A fala e a escuta

Na psicanálise, o analisante é convidado a falar livremente — sobre o que vier à mente, sem censura prévia. O analista escuta com atenção especial, buscando nos lapsos, nas repetições, nos sonhos e nos sintomas os vestígios do inconsciente.

O trabalho é lento e exige constância. Através da fala, o analisante vai construindo, junto com o analista, um caminho de compreensão sobre seu sofrimento. Não se trata de receber conselhos, mas de produzir conhecimento sobre si mesmo.

Psicanálise, psicologia, terapia

É comum confundir psicanálise com psicologia e terapia. Embora todos trabalhem com o sofrimento psíquico, há diferenças importantes:

  • Psicanálise: baseada na teoria do inconsciente. Trabalha com a fala livre, a interpretação e a construção de sentido. Não segue protocolos manuais. Frequência intensiva (2–3x por semana).
  • Psicologia clínica: pode adotar diversas abordagens (cognitivo-comportamental, humanista, sistêmica etc.). Muitas delas são orientadas por protocolos e têm foco sintomático.
  • Terapia: termo genérico que pode designar qualquer forma de tratamento psicológico. A psicanálise é, tecnicamente, uma forma de terapia, mas com fundamentos e método próprios.

Para que serve?

A psicanálise pode ajudar quem experimenta sofrimento psíquico de diversas naturezas: ansiedade, depressão, dificuldades de relacionamento, crises existenciais, lutos não elaborados, sintomas sem causa médica aparente, insônia, compulsões, entre outros.

Não é necessário ter um diagnóstico para começar. Muitas pessoas iniciam um trabalho psicanalítico movidas por um mal-estar difuso — uma sensação de que algo não vai bem, mesmo que não consigam nomear.

Quanto tempo dura?

A psicanálise não tem prazo pré-determinado. Cada análise tem seu próprio tempo, ditado pelo ritmo do analisante e pelo que vai emergindo ao longo do trabalho. Pode durar meses ou anos — isso é conversado e avaliado periodicamente.

O que importa não é a velocidade, mas a constância e o compromisso com o processo.

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